Fonte: CardPlayer Brasil

Depois da onda e da batida perfeitas chegou a hora da procura pelo raise perfeito. Afinal, em se tratando de No-Limit Hold’em, o que define se uma mão é nuts, top pair, segundo par ou mesmo um blefe bem jogado é o valor do raise que foi dado. Claro que quando falo de raise aqui, digo tanto de uma bet quando se é o primeiro a falar como de um aumento sobre uma bet. A questão é que eu não posso chegar aqui e falar o valor que deve ser posto num raise – o que posso fazer é explicitar as premissas que devem ser analisadas para que você se aproxime do “raise perfeito”.
O primeiro ponto a se considerar é: o que você quer com esse aumento? Quer que seu adversário pague? Quer que ele jogue fora? Quer que ele volte reraise? Então, antes de qualquer coisa, pense nisso.
Definido o que lhe interessa na mão, comece agora a pensar qual a melhor forma para atingir seu objetivo. Algumas variantes são imprescindíveis para se tomar essa decisão. Dentre elas: característica do seu adversário (talvez a mais importante, como insisto em dizer), sua imagem na mesa, quantidade de fichas ou dinheiro envolvido no pote, sua posição na mão e, claro, a leitura da mãos. Só após a analise de cada um desses fatores é que podemos chegar à conclusão do valor do raise.
Apesar de não ser um jogador assíduo de No-Limit Hold’em, o que mais me encanta na modalidade é o percentual alto de mãos ganhas sem que seja necessário mostrar as cartas (showdown); o que, em outras palavras, significa dizer que você poderá levar o pote sem absolutamente nada na mão, desde que execute as bets e raises certos.
Por outro lado, existe uma dificuldade maior em ser pago quando se tem uma mão realmente forte. Sob essa perspectiva, o valor do seu raise talvez se torne o aspecto mais importante quando falamos de No-Limit, e certamente um dos principais diferenciais entre um profissional e um iniciante.
Outro fator interessante é que, apesar de haver um padrão para bets e raises, não existe uma regra fixa. Em algumas situações, uma bet de 200 com o nuts, em um pote de 1000, pode se tornar a melhor jogada; tanto quanto um mini-raise blefando ou um all-in com um draw. Dessa forma, tenha consciência de que cada aposta no poker precisa ter um sentido.
Vendo essas situações em exemplo vamos imaginar que esta num torneio onde na sua mesa há um jogador conhecido e muito agressivo, e por acaso alguns minutos antes você tenha feito uma jogada ruim, esse jogador em posição da raise pra 450$ nos blinds $100-$200 e você com um 33 paga no big blind, agora o pote tem $1.000 fichas. O flop vem Q 8 3 raibow excelente para você. Nessa hora você tem $2.000 fichas atrás e ele 1200 fichas. Aqui antecipar um bet $200 seria uma ótima opção isso porque com esse bet você esta dando a ele uma margem de take it down na mão já que ele tem 6 x o valor do seu raise em fichas alem de estar demonstrando fraqueza com essa jogada, somado isso ao fator de você ter jogado mal uma mão anteriormente a chance dele de voltar esse raise inclusive com um all in é grande e aumenta bastante o percentual de você tomar todas as fichas dele. Dando check e aplicando um check raise ele vai largar quase todas as mãos e provavelmente você deixara de ganhar 500, 600 fichas.
Na situação dois vamos imaginar que você esta numa $5-$10 no limit com $1000 de bankroll, você vem com AKs no dealer você abre raise de $35 e o big blind volta raise de $110 você paga e agora no pote temos $225 o flop vem Q 9 5 uma de espadas o small blind dispara 140$ agora você pode dar fold que lógico seria uma opção, pode dar um raise forte de blefe mas que provavelmente te comprometeria com o pote, ou poderia arriscar um mini raise com isso você estará botando $280 para tentar ganhar 365$, alem dessa vantagem em relação a um blefe mais alto você ganha aqui poder de apostar no turn caso ele apenas te de call já que ainda vai ter $610 atrás. Caso seu adversário empurre all in você folda e não perde tanto $$. Claro que para executar essa jogada o ideal é faze-la contra jogadores seguros e de preferência não ter uma imagem de blefador.
Por ultimo vamos ver uma situação onde uma all in pra queda pode ser a melhor jogada, imagine que você esta num head’s up e seu adversário é um jogador muito bom e extremamente agressivo, você tem 14k em fichas e ele 16k, os blind estão $200-$400 você com Ah4h abre raise de 1k no pré-flop e ele paga o flop vem 2h 6s Qh ele da check você aposta $1400 e ele volta $4000. o cenário agora é o seguinte:
Pote: 7.400
Você: 11.600
Adversário: 11.000
Caso você só pague o raise dele você ficara com 9.000 atrás e o pote será de $10.000 e caso você não acerte seus 12 outs no turn provavelmente terá que largar a mão já que ele deve vir com um bet muito forte no turn, se der um raise menor estará praticamente indo para o all in já que ele deve seguir na mão e consequentemente ambos ficaram comprometidos com o pote no turn, agora dando all in você põe ele numa situação delicada caso ele não tenha no mínimo o top pair. Sendo ele agressivo vamos supor que o raise dele a cada 3 vezes seja um blefe e em duas ele estaria te voltando com um par de Q ou 6 vamos desconsiderar o de 2 já que ele pagou seu raise no pré-flop, logo em 66% das vezes ele largara a mão no seu all in, e nas outras 33% em que ele pagar você ganhará cerca de 40% delas logo se essa situação ocorrer 30 vezes você terá ganho em 20 delas 7400 fichas e nas 10 que ele pagou você ganhará 4, considerando que ele dando fold você terá 63,3% das fichas e ganhe nessa proporção o head’s up em das 20 vezes que ele largará você ganhará 12,6 somados as 4 que ganhou quando pagou você ganhara 16,6 a cada 30 ou 55% das vezes esse head’s up. Considerando que seu adversário é um adversário forte essa margem de vitória já seria excelente.
E são por todos esses motivos que a busca pelo raise perfeito no hold’em é interminável, utópico – algo que não foi feito para ser atingido, mas sempre procurado. Da mesma forma que no mar uma onda nunca é igual à outra, no hold’em uma mão jamais será igual à outra, e a procura continua…
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10:00h
2 julho, 2009
Outro excelente artigo. Penso muito neste tal de raise perfeito e concordo que as alternativas são mais para infinitas. Passo então a imaginar que o Cash game No Limit é um jogo de defesa. Um jogo de espera da mão boa de cada sessão. Se um jogador opta por esta atitude e tem disciplina suficiente, esta mão costuma aparecer, em média entre a centésima quinquagésima e ducentésima mão. Portanto, no No Limit a questão fundamental seria o comprometimento para que o jogador consiga se manter vivo até a mão chegar. Considero que ela costuma ser única em cada sesão de Poker No Limit.
Parabéns pelos artigos.
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10:15h
2 julho, 2009
Nao diria de defesa, mas sim de espera. de qualquer forma alguns (poucos) jogadores conseguem ser ganhadores com um ataque constante, mas com certeza nesse estilo de jogo é preciso muito preparo principalmente mental para conseguir jogar bem diversas mãos pós-flop,
bjs
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10:31h
2 julho, 2009
Mestre Raul, os melhores artigos!
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11:55h
2 julho, 2009
Muito bom mesmo, mas o raise perfeito também existe no Limit Holdem e no Omaha Pot Limit, ou não?
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13:51h
2 julho, 2009
Muito bom!
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