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Publicado em 9 outubro, 2008 12:52h3 comentários

Raul: Brasil com força total

(Nenhum voto)

Por Raul Oliveira

Latin American PokerEntre 3 e 5 de maio de 2008 rolou um torneio que com certeza serviu como um divisor de águas para o poker brasileiro. O LAPT não teve só sua importância pelo lado de sua boa organização, localização e premiação e sim pelo fator principal de que ele foi promovido por não brasileiros, o que deixa claro a atual importância do Brasil no cenário mundial. Claro que, para fazer o torneio acontecer, ele contou com a competência dos brasileiros, tanto do CToth e toda sua equipe na organização, como da Maridu na parte dacobertura do evento. Além de contar com o staff da ACP. Então queria deixar aqui meus parabéns a todos osenvolvidos no evento. Ele ajuda o Brasil a ganhar ainda mais força no cenário mundial, abrindo portas para que vários torneios do mesmo porte passem a ser realizados e que num futuro próximo o Brasil faça parte do calendário mundial, por exemplo, no circuito WPT.

Então já que estou falando sobre o LAPT vou dedicar minha coluna a contar sobre o que aconteceu comigo durante o torneio. Antes de contar algumas mãos, fazendo um breve resumo, o torneio pra mim foi terrível: comecei com 10k fichas, perdi um pote de 1k no início, ficando com 9k e em nenhum momento tive mais do que isso – foi literalmente ladeira abaixo.

Minha primeira descida foi num J J. Eu o recebi no meio da mesa e o UTG abriu raise de 150$, quando os blinds ainda eram $25-$50. Eu resolvi dar um re-raise para me isolar com UTG e ter posição na mão e fui com $550 total. Todos deram fold e ele rapidamente completou meu raise. No flop veio 7 5 4 sendo o 5 e 4 de ouros. Ele deu check e eu apostei $750, mais ou menos 70% do pote. Ele pensou mexeu nas fichas resmungou e anunciou raise, demorou mais um pouco e falou $2.200 total. Nessa hora parei pra pensar com que mãos ele poderia estar fazendo isso. Um primeiro dado a ser considerado é que até então a mesa estava bastante tight, logo ele sabia que eu não teria dado o re-raise para roubar o pote e que eu tinha algo na mão – com isso desconsiderei que ele estivesse me testando e que realmente ele tinha algo na mão. O problema é que o leque de mãos era grande, ele poderia ter um 44, 55, 66, 77, 88 e ainda duas altas de ouros como AQ AT AJ KQ, desconsiderei 99 e TT, além dos pares altos, porque acho que com essas mãos ele jogaria de forma diferente. As minhas opções em minha opinião seriam dar fold ou voltar um re-raise. Não gosto muito do call ali, porque teriam muitas cartas no turn que me intimidariam e me fariam largar a mão.

Depois de penar um pouco acabei jogando fora. O que aconteceu é que o torneio ainda estava muito no inicio e imaginei que teria situações melhores de pôr minhas fichas pra jogo. O meufeelling era que ele estava trincado. Outro problema nessa mão foi que o torneio havia começado há 20 minutos, logo eu ainda não tinha nenhuma leitura concreta dele.

O jogo seguiu e, passado algum tempo, vim com 22 no UTG e resolvi entrar de limp. Os blinds estavam $50-$100 e achei mais rentável tentar trazer vários jogadores nessa mão do que entrar de raise e levar as $150 fichs do pingo. A estratégia funcionou; vieram mais 3 além dos blinds, logo éramos 6 na mão. O flop foi excelente pra mim 9 7 2 rainbow. Os blinds deram check e eu também pensei que alguém apostaria e já me daria um caminho mais fácil de maximizá-la, mas não foi o que aconteceu os outros 3 jogadores depois de mim também deram check. No turn veio um 5 e mais uma vez meu amigo do check raise no JJ abre bet. O detalhe é que ele era o small blind na mão. Ele apostou $450, big blind deu fold e agora era a minha vez. Novamente parei pra pensar o que ele teria na mão pra disparar um bet sendo o small blind com 5 jogadores pra falarem depois dele. Logicamente ele tinha uma mão muito forte pra fazer isso e na minha cabeça sobraram poucas opções: 86, 77, 55, 95 e ainda um 7 5, 99 não considerei porque nessa altura ele já tinha se demonstrado um jogador agressivo e provavelmente teria subido no pré-flop. Pensando assim, das 4 mãos em que pensei, em apenas uma das opções eu estaria na frente e decidi por dar call. Todos os outros passaram e no river veio um 3. Agora no bordo tínhamos 9 7 2 5 3. Ele pensou, pensou e disparou $1450. Dessa vez me senti pior ainda porque penso que com dois pares o bet dele provavelmente seria menor. Então acabei só dando call de novo. Ele abriu 55 e se espantou quando viu meu 22 achando que eu deveria ter voltado o bet dele.

Pra ser sincero o que me salvou nessa mão foi a quantidade de gente envolvida no pote. Ninguém no small sai disparando contra 5 jogadores se não tiver com a arma engatilhada, mas mais uma vez lá ia eu diminuindo meu stack, depois dessa mão me sobraram umas $4.500 fichas.

Segui short por mais umas duas horas e finalmente recebi uma mão que poderia me dobrar QQ, sendo que o big blind na mão era um canadense que já havia anunciado o tilt depois de perder um AKs pra um A8s all in pré-flop. Os blinds estavam $150-$300, eu estava com $5.500 fichas e ele com $.4500. Abri raise de $800 e esperei que ele me voltasse all in. Não foi o que aconteceu. Ele apenas completou meu raise. O flop mais uma vez veio excelente pra mim, com 8s 6c 3d. Ele quase que instantaneamente empurrou todas suas fichas e eu, claro, paguei. Imediatamente ele me abriu Td 8d e, por incrível que pareça, me senti mal. No turn um 7 de ouros deu 17 outs pra ele e no river um 9 de espadas me levou a 1k em fichas. Pra fechar com chave de ouro, duas mãos depois vim com 77 e encarei um AK que no river acertou o As e me mandou pra casa.

A única coisa boa que fica de um torneio desses é que você não sai com a sensação que poderia ter jogado de forma diferente e de que simplesmente não era o meu dia.

De qualquer forma poder jogar um torneio de $2.500 em casa, com a presença de grandes jogadores, foi minha grande vitória. Minha e, claro, de todo o Brasil.

Grande abraço a todos.

 

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  1. Raul: Feeling
  1. Carlos
    12:55h
    9 outubro, 2008
    1

    Parabéns pelo Post. Suas decrições das situações e das jogadas, assim como da sua forma de pensar, são sempre muito claras e elucidativas.

    E foi uma pena a sua participação no LAPT não ter sido mais longa. Você jogou certo.

    Abs

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  2. Carlos Henrique
    08:24h
    10 outubro, 2008
    2

    Apesar de ser mais fácil falar depois da definição da mão, acredito que a aposta no flop poderia render mais, afinal mais três deram check depois. Tenho visto quase sempre a mesma jogada: o cara trinca no flop e dá check tentando aumentar o pote e de pois aposta no turn para valorizar a mão. Será, Raul, que uma bet quando se trinca não seria melhor do que somente um call? A pergunta não se direciona somente à situação descrito no seu post, mas de uma forma geral a valorização da mão (ou sua proteção) não passa por uma bet? Parabéns pelos artigos. Continue nos informando…

    [Responder este comentário]

  3. Raul
    22:13h
    13 outubro, 2008
    3

    Fala Carlos,

    Com certeza em determinados momentos sair apostando com a trinca é a melhor forma de maximizar a jogada, mas não penso que isso posso ser encarado como uma regra, depende muito do flop de quantos jogadores estão na mão e claro do estilo dos jogadores envolvidos.

    grande abraço

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