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Publicado em 15 maio, 2009 11:49h1 comentário

Usando O Conceito de Ranges para Se Proteger

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Por Christian Kruel

Fala Galera,

Dando continuidade às nossas conversas sobre ranges, existem diversas formas de se defender numa mão, seja protegendo seu jogo, seja tirando odds de seus oponentes, seja criando uma imagem na mesa ou até mesmo escolhendo oponentes particulares para disputar potes. Porém, independentemente da estratégia que você escolher, colocá-la em prática nem sempre é tarefa fácil.

Vou tentar explicar como usar o conceito de ranges para criar estratégias específicas para as situações de jogo que enfrentamos corriqueiramente. O processo de elaboração da estratégia é sempre o mesmo. Por isso, vamos dar um exemplo específico de como construir uma determinada estratégia que, de forma geral, serve para que todos vocês possam criar suas próprias estratégias daqui para a frente.

Escolhemos para o nosso artigo o blefe, uma vez que é uma jogada comum, onde os efeitos são devastadores para a grande maioria dos jogadores. Vamos entender um pouco mais sobre ele e sobre como usar o conceito de ranges para se defender.

Como o blefe te machuca?

A primeira resposta óbvia é que ele te custou um pote que deveria ter sido ganho por você e não foi. Simples e óbvio? Nem tanto…

Suponha que você tenha Q J off e o flop abra Jc 8c 7h. Seu oponente aposta $6 num pote de $8, você dá raise para $20 e ele vai all-in com $100 fichas. Você pensa um pouco e joga fora as cartas. Ele mostra cA6c e leva o pote. Ele blefou em cima de você, mas isso não te custou apenas o pote. Caso pagasse, você colocaria $80 para ter 53% de chance de levar um pote de $208, o que te daria um profit positivo de $31.25. Logo, além do pote de $128 que já existia, o blefe te custou um profit extra de $31.25.

Por outro lado, você não tem como saber que ele tinha um flush draw. Ele poderia ter uma trinca, um overpair, pares de valete com kickers melhores. Contra um range de {JJ+,88-77, AJs, Ac6c, KJs, QJs, JTs, AJo, KJo, QJo, JTo}, seu QJ tem menos de 27% de equidade e nesse caso teu fold, no longo prazo, te faria economizar mais $25.

Ainda que o pote seja jogado até o river, quando você criteriosamente coloca o seu oponente num range de mãos possíveis, um fold teoricamente incorreto para um blefe ocasional pode, no longo prazo, te fazer economizar um bom dinheiro.

Assim, se você quer se tornar um jogador vencedor, tem de aceitar o fato de que perder ocasionalmente para blefes é quase uma necessidade e, no longo prazo, caso esteja raciocinando corretamente, será vantajoso para você. Um dos truques é não tentar cortar os blefes e deixar que eles ocorram naturalmente, evitando que as pessoas percebam seu desconforto e passem a blefar com mais frequência em cima de você.

Defesas Ruins

A defesa mais óbvia contra o blefe é o call. Ela funciona principalmente contra oponentes que blefam com frequência. Porém, ela é incrivelmente simples de ser explorada. Basta seu oponente parar de blefar…

O call é uma defesa especialmente fraca se vocês ainda não estiverem chegado no river porque você pode se deparar com novos bets. Mesmo que você detecte um possível blefe no flop e dê um call correto, poderá enfrentar mais apostas no turn e no river. Você também corre o risco de ver seu oponente acertar sua mão. Ainda que a mesa não acerte nenhum de vocês, ela pode mostrar cartas tão ruins, como quatro de um mesmo naipe, por exemplo, em que um simples bet de seu oponente teria que te fazer desistir da mão.

Uma outra defesa muito fraca é o blocking bet, que é uma aposta pequena que você faz no intuito de evitar que seu oponente faça uma aposta maior caso você peça mesa. Essa defesa é facilmente explorável porque os oponentes conseguem identificar uma blocking bet e passarão a te dar raises com frequência, tanto raises blefando quanto raises por valor, fazendo seu blocking bet te custar uma aposta adicional.

Ainda que seu blocking bet não seja devolvido com um raise, ele provavelmente só seria pago por mãos melhores e, assim, não seria uma defesa muito efetiva contra blefes.

Explorando Seu Range

Para descobrir o verdadeiro custo de um fold numa situação de possível blefe, você deve considerar o range inteiro de mãos que seu oponente poderia estar segurando. O próximo passo é construir uma defesa contra o range de seu oponente usando o seu próprio range de mãos. Seu oponente pode suspeitar que você tem um top pair, mas ele não tem como saber que seu kicker, por exemplo, é ruim. Ele tem de tomar suas decisões baseado num possível range de mãos que você pode estar segurando, da mesma forma que você tem que fazer contra ele.

Pergunte a si próprio se essa forma de jogar se encaixa na sua forma de jogar mãos fracas ou fortes no seu range de mãos.. Não existe nada demais em levar um blefe quando você está na parte fraca do seu range. O consolo é que você estará jogando de maneira muito semelhante quando ele tentar novamente o blefe contra um range de mãos fortes e aí você levará as fichas dele.

Volte ao exemplo dado anteriormente do Q J off num flop Jc 8c 7h. Examine agora a situação pela perspectiva do seu oponente. Ele apostou e você deu raise. Ele tem algum motivo para pensar que um re-raise te fará jogar as cartas fora? Após o seu raise, ele deveria considerar uma sequência, dois pares, uma trinca ou até mesmo um overpair. Um QJ seria uma das piores mãos do seu range possível naquele momento. Isso significa que ele não tem muito como explorar o fold de um Q J off nesse tipo de situação. Logo, seu oponente terá problemas caso adote com frequência essa estratégia nessa situação.

Considere uma outra situação em que o medo do blefe impede o desenvolvimento de um jogo de bom nível. O botão abre um raise do tamanho do pote de $7. Você faz um re-raise do tamanho do pote para $23 com KK no small blind e ele paga. O flop abre A Q 9.

Muitos jogadores sairão apostando sem expectativas de que mãos melhores joguem fora e que mãos piores dêem o call, como deveria ser. Eles simplesmente apostam com medo de que o check induza o oponente a apostar pelo A numa aposta que eles terão medo de pagar.

Essa parece uma situação meio morta, já que não dá para imaginar uma situação lucrativa em que você dê 3-bet com KK, leve um call e um A apareça no flop…

Porém, na verdade a questão não é “como jogar KK num pote que dei 3-bet com um A no flop” e sim “como jogar MEU RANGE INTEIRO num pote que dei 3-bet com um A no flop”. Como jogar o seu KK é apenas uma parte do problema que só será melhor solucionado quando você considerar seu range inteiro nessa situação.

Vamos considerar que seu range para 3-bet nessa situação é AT+, TT+ e, ocasionalmente, mãos mais fracas como suited connectors. Você precisa bolar uma maneira lucrativa e equilibrada para jogar cada uma dessas mãos.

Considerando que você é o primeiro a falar no flop, suas opções são apostar, pedir mesa e dar call num bet, pedir mesa e dar fold para um bet ou pedir mesa e dar raise num bet. Quando você não tem nada, como um suited connector que errou o flop, você provavelmente apostará para representar o Ás e levar o pote com um blefe. Isso significa que você terá que apostar com algumas mãos fortes, de forma a dar credibilidade aos seus blefes. O AK, AQ e QQ são mãos fortes o suficiente para sairmos apostando. Apostando com essas mãos, construimos o pote e protegemos nossos blefes.

A A também é uma mão muito forte, mas talvez um pouco forte demais… Seu oponente dificilmente terá uma mão para te dar ação e nesse caso o slowplay é uma jogada mais eficiente e o check mais indicado. Mais com que outras mãos daríamos check e por que? AT, AJ e KK continuam sendo mãos fortes, mas se você apostar com elas, talvez não consiga ação de mãos piores. Então elas também são boas candidatas ao check para induzir o oponente ao blefe, coisa que ele provavelmente só não fará caso esteja segurando uma mão muito fraca ou um TT – JJ com intenção de foldar para um bet, já que com duas overcards na mesa essas mãos perdem valor.

Porém, temos um problema: você dá check e call com KK no flop, que está mais ou menos no meio de seu range para check-call agora. Mas o que você fará no turn? KK agora é a mão mais fraca possível no seu range e caso haja uma aposta você poderá ter que jogar fora. Ele poderá estar blefando, mas acabará se lamentando nas vezes que você estiver segurando AT – AJ ou quando você der o check-raise com o AA no turn.

Note como uma estratégia assim não só protege suas mãos fracas, mas trás ação para as suas mãos fortes. Quando você não tiver nada, aposta como um blefe. Mas seu oponente não pode explorar isto pagando ou aumentando sem nada porque você também estará apostando com mãos muito fortes. Você dará check com KK com a intenção foldar eventualmente, mas seu oponente não poderá explorar isso com um blefe porque às vezes você terá o AT- AJ ou o AA.

Conclusão
A coisa importante aqui é não se preocupar em aprender os detalhes desta estratégia particular para potes em 3-bet. Você deverá prestar atenção na forma como essa estratégia foi construída e como ela pode te proteger de eventuais blefes. Você ainda poderá ser pego num blefe, mas se consolará com o fato de que não te custará muito e que, numa próxima vez, você poderá “se vingar” da melhor forma possível!

Até o próximo artigo, espero que com boas novas do circuito !

Abraços,
Christian Kruel

 

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  1. Diego
    01:40h
    18 maio, 2009
    1

    CK, seus comentários tem melhorado muito ultimamente, mostrando uma parte mais técnica do jogo. Coisas bem interessantes para se aprender a jogar contra adversários fortes.

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