Nesse artigo vou discutir sobre um termo que aparece com muita freqüência durante uma explicação do porque de um jogador ter feito uma determinada jogada: O feeling. Muitos jogadores perguntados por que blefaram numa determinada mão ou pagaram com o 3º par um all in ou ainda jogaram fora um AA depois do flop, simplificam suas respostas e dizem joguei no feeling. Feeling no dicionário significa: sentimento; emoção; opinião; No poker significa algo como jogar no instinto, – não sei por que fiz isso só sei que isso que deveria fazer – .
Em outras palavras quando um jogador não sabe explicar que raciocínio teve para chegar a sua conclusão. Ele chama isso de feeling. Já em minha opinião feeling nada mais é do que um raciocínio quase que subconsciente que traz uma conclusão lógica, mas não traduzível por quem o utiliza. Tanto isso é verdade que quanto melhor o jogador é mais “feeling apurado” ele tem. Isso quer dizer que por ter vivido tantas e tantas situações no hold’em os grandes jogadores chegam a decisões em determinadas jogadas que apesar de não enxergarem que raciocínio o levou até ela, a mesma foi um resultado de um complexo cruzamento de dados armazenado em sua mente durante todas as sessions que fez.
Para exemplificar o que estou falando vou pegar uma mão clássica entre Phil Ivey x Paul Jackson. Uma mão onde muitos explicam o movimento do Phil Ivey como: ele teve o feeling que o cara não tinha nada, mas na verdade tinha um grande raciocínio por trás da jogada. Vamos a ela:
Eles estão no HU final de um torneio. Os blinds estão 12k-24 com antes de 4k, Phil Ivey está no big blind com cerca de 3,5 milhões em ficha e Paul Jackson no small e no button com cerca de 900k em fichas.
Paul J. completa o blind pra 24k com 65 off e Phil I. da raise de 60k com Qh8h, maior do que o pote que era de 56k, Paul J. paga e agora o pote tem 176k.
O flop vem 7h Jd Jc, ou seja, nada para nenhum dos dois, Phil I. como tinha dado raise pré-flop segue com a jogada e aposta 80k um pouco menos da metade do pote. Paul J pensa um pouco e da raise de 170k quase o mínimo, deixando o pote em 426k, agora é Phil Ivey que pensa um pouco e ao invés de jogar paga os 90k e bota mais 150k deixando Paul Jackson numa situação ruim.
Paul J. pensa um pouco e também surpreende dando mais um re-raise agora ele paga os 150k e bota mais 150k levando o pote para 966k e ficando com cerca de 380k atrás. E ai vem o grande final da mão. Phil I. pensa, pensa e pensa e no “feeling” da all in em Paul Jackson que é o brigado a jogar fora seu 65off definindo praticamente o torneio.
Sem dúvida essa foi no mínimo uma mão fantástica, atípica e muito corajosa de ambas as partes. Agora muitos jogadores principalmente os iniciantes vão olhar essa mão e dizer que “feeling” que Phil Ivey teve ele sentiu que o Paul Jackson não tinha nada. E é exatamente nessa hora que digo que por trás desse “feeling” na verdade existe um grande raciocínio. Vamos a ele:
Num flop 7h Jd Jc Phil Ivey dispara 80k e Paul Jackson volta 170k, nessa hora Phil I. passa a ter quase certeza que Paul J. não tem o J já que com o J e com poucas fichas em relação ao stack do Phil I, ele aqui só daria call, então na cabeça dele sobram duas opções na mão do Paul J. ou estar blefando ou ter um 7, seria muito difícil ele por Paul J com um par na mão já que como ele havia aumentado bem no pré-flop ele teria tomado um re-raise ali mesmo.
Pensando assim Phil I. resolve testar Paul J e volta um reraise sem se comprometer totalmente com o pote, ou seja, caso ele tome um all in ainda tem espaço pra ele largar a mão. E nessa hora ao meu ver foi onde o Paul J. errou, pra mim se ele queria continuar blefando era hora de dar all in, mas é claro que de fora essa análise é muito mais fácil. O porquê desse all in é que por que não dando, ele deu a chance do Phil I. ler o blefe dele.
Entendendo o motivo disso, vamos imaginar 3 situações possíveis para a mão do Paul J.
1ª ele com [o J ], já seria muito difícil ele ter dado raise no flop tendo o J, mas mesmo considerando essa hipótese após o re-raise do Phil I. ele com certeza só daria call, logo Phil I consegue descartar essa hipótese.
2ª ele ter o 7, nesse caso ele achando que tinha a melhor mão teria dado all in no re-raise do Phil I, até porque com o 7 ele estaria totalmente comprometido caso o Phil I desse all in como deu, por isso não teria sentido ele dar um mini raise com apenas o 7. Tendo o 7 ou ele daria call e viria o turn ou empurraria, mas nunca aumentaria apenas um pouco.
3ª ele não ter nada – que foi exatamente a conclusão que Phil I chegou, a única mão possível para ele ter jogado dessa forma era um bluff mesmo uma mão nut como um JJ não teria aumentado o último raise como ele fez.
E chegando nessa conclusão foi que Phil I empurra seu all in mesmo sabendo que havia chance de ser pago por um K high ou A high pelo tamanho do pote ele seguiu seu raciocínio e deu all in na mão.
Agora numa coisa eu tenho que concordar que é muito mais fácil chamar isso tudo de feeling.




22:56h
1 outubro, 2008
Show de Artigo Raul!
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22:42h
4 outubro, 2008
Ficou faltando analisar a hipótese de um over pair, ou mesmo um par menor que poderia dar segurança suficiente a Paul Jackson para fazer os movimentos relatados no eu artigo. Acho que existem embates que propiciam uma meta leitura, principalmente em grandes torneios na sua fase final.
Belo artigo.
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22:15h
13 outubro, 2008
Oi Pai, como te falei pessoalmente no meu artigo eu levanto a hipotese do par na mão do Paul Jackson e que ele teria voltado all in no pre-flop com essas mãos,
bjs
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06:24h
14 janeiro, 2009
Pai?
Belo artigo..já vi esse video tambem
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