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Publicado em 29 outubro, 2009 09:35h1 comentário

Reciprocidade: A causa do lucro no Pôquer – Parte 2 de 4

(Nenhum voto)

Por Tommy Angelo

Por Tommy Angelo

Reciprocidade da Informação

“Meu segredo é manter segredos”

Eu jogo pôquer baseado em um conhecimento. Eu preciso saber os pensamentos dos meus oponentes, os sentimentos que eles estão sentindo no momento e as cartas que eles estão jogando. Enquanto isso, eu preciso fazer com que eles saibam o mínimo possível de mim. Eu chamo essa relação de guerra de informação.

A guerra de informação ocorre em duas frentes – enviando e recebendo. Para ganhar, mande menos informação do que eles mandam, enquanto você deve receber mais informações do que eles recebem. Controlando essas diferenças, você controla o fluxo da informação. É onde está a mina de ouro.

Na internet, a guerra de informação é feita sobre várias variantes como estatísticas de software, tells de tempo, conversas no chat, fóruns entre outros. Pôquer fora da internet acontece em uma mesa, então eu chamo de “Pôquer de mesa”.  Pôquer de mesa sempre tem um ponto de vista, sons, cheiros, tells e é uma eterna orgia de informação para ser trocada. O resto dessa sessão é a respeito da reciprocidade da informação no pôquer de mesa.

Músculos

Pense no corpo humano como forma de comunicação que usa músculos para transmitir informação. Não é sempre obvio quem é o encarregado de conduzir os músculos. Algumas vezes nós somos e algumas vezes eles são. O quanto mais nós pudermos controlar os nossos músculos, maior controle teremos sobre a reciprocidade da informação.

Rosto

Humanos têm duas vezes mais músculos faciais que qualquer outro animal. A explanação favorita é que em algum ponto do passado, aumentar a musculatura facial fez os nossos ancestrais melhores do que seus vizinhos em uma comunicação silenciosa. Melhores comunicadores tem uma vantagem em sobreviver, e como previsto, isso foi um bônus genético. Então em algum lugar do tempo uma mutação genética escolhida pela mãe natureza ocorreu, é isso o que importa, mais músculos no rosto dos que foram naturalmente selecionados.

Agora, muitas gerações e mutações mais tarde, nós pegamos esses 40 músculos da nossa face, todos prontos para mandarem sinais sutilmente silenciosos e nós não podemos nos desligar deles. Tudo que nós podemos fazer é tentar mantê-los quietos quando nós precisamos, para o bem do time. Durante uma mão de pôquer, o cérebro pode dizer “puta merda!” e então a face fazer a mesma coisa, o cérebro irá suspirar para o rosto urgentemente “Pare! Shhh! Não mova um músculo!”

E quando isso acontece, nós vemos a cara de pôquer. A cara de pôquer é uma reação instintiva para situações na qual o cérebro diz ao corpo para parar de mandar informação.  O ouro recíproco vai para aquele que agir melhor instintivamente.

Mãos

Para o jogo ser jogado, fichas e cartas precisam ser movidas e as mãos humanas devem movê-las. E aonde há movimento, há informação. Algumas vezes uma pequena tremida na mão irá me dizer algo. Algumas vezes será a forma que eles seguram suas fichas, algumas vezes como eles seguram suas cartas, algumas vezes como eles pedem mesa, algumas vezes será quase nada, mas sempre haverá algo.

Mas o movimento de mão aonde eu consigo mais informação de longe é quando o jogador mostra cartas quando ele não precisava.

Boca

Aqui nós temos uma coleção de músculos e partes que mandam informações usando não apenas expressões, mas também sons. E não apenas os velhos sons, palavras, frases, informação de todos os tipos.

Temos uma grande novidade para os que procuram a reciprocidade. Não há regra no pôquer que exija que sua boca se mova enquanto você joga então você tem o direito de se manter em silêncio.

Meus Professores

Eu não posso lhe dizer que se manter quieto é no geral mais lucrativo do que falar. Eu não posso dizer que sua permanência estática sempre irá vencer o movimento. Eu não posso dizer a você que menos é sempre mais. Mas eu posso lhe contar uma história.

Eu usava minhas mãos para embaralhar fichas até que elas ficaram nervosas. Minhas pernas pulavam tanto que meus sapatos tinham um padrão de desgaste previsível como um carro alinhado. Eu me embebedei no cassino por meses ou anos e falei tanto na mesa que eu era sempre bem vindo, o capitão da mesa. E mesmo com todo esse movimento e toda essa conversa, eu ainda era apto a pagar minha comida e emprestar dinheiro das minhas vitórias do pôquer, pois eu ainda estava na frente dos meus oponentes na guerra de informação, devido  não ao que eu falava e fazia mas sim quando.

Eu não mostrava minhas mãos. Não conversava sobre mãos. Eu despertava euforia e frustração. Quando o assunto era informação, eu estava aberto sobre tudo, exceto meu jogo de pôquer. Eu aprendi a jogar dessa forma, pois eu tinha ido há Vegas nos anos passados e passei por dois tipos de jogadores: os que eu temia e os que não.

Naturalmente eu prestava mais atenção naqueles que eu temia e a coisa em comum que todos tinham era a forma misteriosa que eles não passavam informação alguma. E isso me assustava. Então eu copiei e aprendi suas técnicas e quanto mais eu fazia o que eles faziam, mais eu percebia que o que eu tinha aprendido dos meus professores era como jogar o que eu chamo de sexta rodada.

Sexta rodada

A sexta rodada começa quando as apostas param, quando os jogadores relaxam, pensando que nada mais importa. Reciprocamente.

A sexta rodada é quando as estátuas se tornam fontes. Enquanto jogam o turn e o river, os jogadores são estáticos, dando seu melhor para fornecer o mínimo de informação possível. E então, tão logo quanto as apostas cessam, seu corpo começa a se mexer, passando informação sobre seus pensamentos, suas emoções e suas cartas. Sexta rodada é quando um jogador deixa sua guarda baixar, como se de repente fosse seguro revelar ao oponente as armas secretas. É como se eles não soubessem que a guerra ainda está ocorrendo.

No fluxo da informação, sexta rodada é um lugar confiável para se ganhar o ouro.

Mum Pôquer

Uma corrida de armas militar resulta em grandes bombas e bons esconderijos. A guerra de informação no pôquer tem uma corrida de armas, e se alguém levar isso ao extremo – o que eu faço – você deveria jogar o estilo de pôquer o qual eu chamo “mum pôquer” – o qual eu jogo.

De forma geral, mum pôquer é a tradicional cara de pôquer, estendida a todo o seu corpo e mantida durante toda a sexta rodada. Especificamente, mum pôquer se trata de não reclamar, não sentir culpa e não lamentar. Mum pôquer é estático e não tem leitura. Se você empregar ele o tempo todo, você pode dizer que o mum pôquer é como ser absolutamente um zero, o cessar do movimento. É conhecido na teoria e sempre tentamos aplicá-los, ainda que seja inatingível.

Ou você pode simplesmente sentar e ficar de boca calada.

Hoje, quando eu jogo exclusivamente por lucro, eu jogo o mum pôquer. Eu uso um chapéu de baseball, sem óculos e sem rótulos, raramente faço contato nos olhos, não falo a menos que falem e mesmo assim não reajo a questões ou comentários sobre pôquer. Eu tenho visto que quanto menos informação eu passo, mais eu me foco no meu jogo. E quando eu estou focado no meu jogo, eu mando menos informação.

Quando eu aplico o mum pôquer, eu luto pelo ouro recíproco nas duas formas da guerra de informação simultaneamente.

No próximo artigo veja mais situações onde a reciprocidade se aplica no pôquer.

  1. C A S S I O FT
    22:27h
    6 novembro, 2009
    1

    Cara que demais, parabens pelo artigo estou cada vez mais aprendendo com ele vlw mesmo!!!

    [Responder]

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